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Festival Fartura – Comidas do Brasil chega a Belém com muitas atrações

A cidade Belém e a singular comida paraense continuam no foco do segmento gastronômico mundial. Depois da I Encontro Mundial das Cidades Criativas da Gastronomia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), promovido pela Prefeitura Municipal de Belém (PMB) e realizado em novembro do ano passado, a cidade será sede, nos dias 27 e 28 deste mês, do Festival Fartura – Comidas do Brasil, que pela primeira vez estará na capital paraense, na Estação das Docas, e tem o apoio da PMB.

O Encontro de novembro passado ocorreu dois anos após a capital paraense ter sido declarada Cidade Criativa da Gastronomia da Unesco, em dezembro de 2015. No último dia de atividades do Encontro foi lançado o Festival Fartura – Comidas do Brasil. O evento, que já é realizado em São Paulo (SP), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Tiradentes (MG) e Lisboa, em Portugal, abre o calendário anual da reunião, quando chefs e produtores que utilizam ingredientes de diferentes estados do Brasil são convidados para aulas, degustações, cozinhas ao vivo e pratos especiais para o público.

Em Belém, o Festival Fartura terá mais de 50 atrações gastronômicas, com chefs de dez estados brasileiros, como os paraenses Thiago Castanho, Ângela Sicília, Ofir Oliveira, Felipe Gemaque, Eliana Ferreira, Solange Sabóia, Daniela Martins, Artur Bestene, por exemplo, e mais de 15 atrações culturais.

Na parte gastronômica, as atrações são os espaços Chefes e Restaurantes; Cozinha ao Vivo; Interativo; Conhecimento; Petiscos, Lanches & Doces; e Produtos e Produtores.

No segmento cultural, haverá atrações musicais com os paraenses Lucas Estrela, Kareca Braga, Jardim Percussivo, Mestre Solano, Orquestra de Violoncelistas da Amazônia (OVA) e outros, e cênicas com o projeto Tambor de Dentro, Ester Sá, Palhaços Trovadores, Cleber Cajun e o grupo parafolclórico Frutos do Pará.

Chefs anônimos – Todas essas atividades de pesquisas, encontros e festivais posicionam Belém, com destaque, na vitrine da gastronomia mundial. Mas nem só de chefs profissionais ou renomados vive a culinária local. Muitas pessoas optaram também por criar e fazer pratos especiais, seja para a família, seja para os amigos, em uma atividade muito prazerosa para todos.

Anonimamente, esses chefs mostram que também são bem desenvoltos com o fogão, as panelas, alimentos e temperos, e eles se preocupam também com a qualidade do que cozinham, buscando utilizar alimentos mais saudáveis.

O artista plástico paraense e iluminador de cinema Cláudio Castro começou a cozinhar por necessidade, mas já tinha noções básicas de cozinha por conta da convivência com a família. “Todo mundo na minha família gosta e sabe cozinhar. Quando vou em casa, nem me atrevo na cozinha”, exagera.

Cláudio diz que não é vegetariano, mas gosta muito de cozinhar usando legumes e verduras. “Mesmo em pratos nos quais utilizo carne, procuro usar legumes. Outro dia, fiz para um amigo uma carne assada com molho de abóbora, e ele gostou bastante”.

Há cerca de 15 anos, Cláudio deixou Belém e foi morar e trabalhar em São Paulo, onde começou a levar mais a sério fazer seus próprios alimentos, fugindo de comer fora de casa e de ficar refém de quentinhas. No final de 2014, o artista plástico se mudou para Dublin, capital da Irlanda, onde foi estudar, e lá entrou em contato com novos alimentos, que não são encontrados no Brasil. A paixão de cozinhar foi ficando maior.

“Gosto de cozinhar para mim, experimentar coisas novas e ver as pessoas comendo o que faço. É um prazer, mesmo. Quando eu morava na Irlanda, percebi que os alimentos por lá são baratos e bem mais saudáveis, então pude experimentar várias receitas diferentes”, explica.

Para Cláudio, a apresentação do prato e o sabor são muito importantes. “A apresentação do prato é primordial. Se você arruma um prato com beterraba, uma criança que não goste desse alimento vai comer bem se tiver algo que remeta a um desenho ou brinquedo. E também me preocupo com o sabor e não sobrecarrego nos temperos. Em Belém, eu uso basicamente cebola, alho, cheiro verde e muita chicória”, frisou.

Saudável – O Brasil já ocupa a quinta colocação no ranking de vendas de alimentos e bebidas saudáveis. De acordo com um estudo da agência de pesquisas Euromonitor Internacional, entre 2009 e 2014 o mercado de alimentação voltada à saúde cresceu 98% no país.

O relatório The Top 10 Consumer Trends for 2017, do Euromonitor Internacional, que analisa as tendências de mercado, notou uma inclinação dos consumidores pelos itens considerados saudáveis. Segundo o documento, 83% dos entrevistados estão dispostos a gastar mais para obter um alimento saudável; 79% substituem produtos da alimentação convencional por opções mais saudáveis; 28% acham importante consumir alimentos com alto teor nutricional; 22% optam por compras alimentos naturais sem conservantes; 44% dão preferência a produtos sem corantes artificiais; e 42% optam por itens sem sabores artificiais.

É com foco nesse segmento de alimentação mais saudável e de raiz que o Festival Fartura viaja o Brasil inteiro. A base do projeto é o conteúdo garimpado durante a Expedição Fartura, que, desde 2012, mapeia as diversas cadeias produtivas brasileiras, conhecendo receitas, histórias e as cozinhas do país.

No Pará, a pesquisa será sobre a cozinha ribeirinha do restaurante Saldosa Maloca, na ilha do Combu, e a tradicional farinha d’água de Bragança, município do nordeste do Estado.

Astronauta – Assim como o “chef” Cláudio Castro, quem também se preocupa com a questão da utilização de produtos mais saudáveis na alimentação é o diretor paraense de audiovisual Roger Paes, que, observando as costumeiras reuniões dos membros da família dele para fazer refeições juntos, começou também a criar e produzir seus próprios pratos, mas sempre buscando uma qualidade melhor neles.

“É muito dos paraenses essa história de se reunir para comer. Na minha família, todo mundo sempre cozinhou, como a minha mãe, meu pai, tios e tias. E para mim foi natural continuar essa tradição”, conta Roger.

Roger procura usar o mínimo de produtos industrializados. “Eu mesmo faço o leite de coco, a maionese e o molho de tomate. O prazer de cozinhar começa quando vou às compras, já tenho os fornecedores certos e os amigos que viajam sempre me trazem algum ingrediente especial. Meu grande prazer é cozinhar, e minha intenção é continuar com pequenos grupos, em reuniões onde a satisfação de comer bem esteja sempre presente”, afirma.

Pensar na cozinha como algo a mais e assim partir para criar seus próprios cardápios ficou mais evidente quando Roger dirigiu o documentário “Mosqueiro: Ilha dos Sabores”, no ano de 2014, para a TV Cultura, emissora na qual ele trabalha há mais de 20 anos.

O contato com a gastronomia de Mosqueiro enfatizou ainda mais para Roger a vontade de criar novidades sobre pratos mais tradicionais da culinária paraense. E foi assim que surgiu o “Quintal do Astronauta”, evento de gastronomia criado pelo diretor, realizado na própria casa dele.

A divulgação é por meio das redes sociais e se tornou um sucesso. “Eu abro a minha casa para receber grupos de até 30 pessoas. O cardápio contempla uma entrada, dois pratos principais, suco e sobremesa. Faço tudo sozinho, desde as compras até a confecção dos alimentos”, conta.

Vatapá – Entre os pratos que Roger criou, um dos que mais fazem sucesso é o “Vatapá de Pupunha”. “Eu gosto muito de vatapá, mas acho que o trigo o deixa pesado, pensei em substituir esse ingrediente e surgiu a pupunha. O meu vatapá leva a pupunha cozida amassada, dissolvida em caldo de camarão, azeite de dendê e os camarões”, explica. A receita faz tanto sucesso que os colegas de trabalho de Roger se reúnem, fazem coleta e encomendam o prato, mesmo fora das edições do “Quintal do Astronauta”.

Ainda para as edições do “Quintal do Astronauta”, Roger criou pratos como o “Missoshiro de Gurijuba” – tradicional sopa japonesa, que ganha como ingrediente esse peixe paraense -, “Feijoada de Frutos do Mar”, “Rocambole de Macaxeira”, “Salada de Jambu”, “Pirarucu à Portuguesa” – no qual o bacalhau é substituído pelo peixe da região Amazônica -, “Paella de Dourada Frita”, “Omelete de Jambu”, entre outros, além de sobremesas nas quais as frutas paraenses são o carro chefe, juntamente com o chocolate produzido no Pará.

Quase todos concordam que cozinhar é um ato de amor, e cozinhar por prazer é, sim, uma ação de carinho, mas utilizar ingredientes que sejam saudáveis, sem aditivos industrializados e que ajudam na preservação da saúde é ter mais cuidado ainda. Como é observado nos pratos que são produzidos por Cláudio Castro, Roger Paes e outros tantos.

Esses chefs, que têm uma preocupação com a qualidade do que produzem, fazem do ato de cozinhar uma atividade prazerosa e generosa com todos, e ajudam a levar adiante a boa fama da gastronomia paraense, que já é foco atenções nacionais e internacionais. Assim, esses chefs contribuem para a construção dessa fama, anonimamente.

Serviço:

Festival Fartura – Comidas do Brasil, dia 27 (das 12h às 22h) e 28 (das 12h às 20h), na Estação das Docas. Valores: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia, para crianças entre 8 e 12 anos, estudantes, idosos, portadores de deficiência, professores da rede pública de ensino. Crianças menores que 8 anos não pagam). Ingressos pelo site http://bit.ly/INGRESSO_FarturaBelem. Informações: www.farturabrasil.com.br.

Por Dedé Mesquita

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